Sina ou Destino?


Às vezes, para se chegar a um objetivo, seja ele geográfico ou espiritual, para irmos além nessa incessante busca de novos horizontes é preciso muito mais que uma moto. É preciso alguma sede de mudança, uma necessidade de auto-avaliação e, na bagagem, também é preciso uma boa dose de coragem.

Nessa ansiedade por um encontro conosco, do autoconhecimento, fazemos uma viagem exclusiva e solitária onde a única companhia que vamos poder contar será a nossa própria. Podemos também nos surpreender com a companhia do ser que iremos descobrir, o qual, gostando ou não, é o que somos de fato. Não mais o personagem que, muitas vezes, sem notar, resolvemos interpretá-los em um teatro pessoal e mentiroso do que gostaríamos de ser, mascarando nossas doloridas e verdadeiras frustrações.

Para irmos ao encontro desse eu desconhecido e misterioso que habita dentro de nós, em nossa mente, nesse trem de passageiro único rumo ao interior de nosso interior, às vezes precisamos contornar ou adentrar alguns povoados e lugares deixados pra trás, alguns de nossos próprios desafios e caminhos internos esquecidos no porão e nos desertos áridos e solitários de nossa alma, representados pelos “Atacamas”, pelas “Caatingas Nordestinas”, pelos “Ranchinhos de Palha” ou nas “Taperas” de beira de estrada com seus segredos, muitas vezes tristes e desoladores, ocasionados por falhas do passado e não corrigidas jamais, apenas esquecidas.

Torna-se necessário então buscar entender, de uma vez por todas, nossas tendências. Quando enfrentamos as tendências negativas, vamos descobrindo e valorizando ainda mais nossas tendências positivas. É quando admitimos para nós mesmos a importância de contorná-las, se preciso for. Às vezes não nos sentimos preparados ou ainda não suficientemente fortes para tais desafios internos.

Muitas vezes essas escolhas frente às encruzilhadas nas estradas do mundo e da vida, são voluntárias onde se exerce o livre arbítrio. Porém elas podem vir como desvios fatais, provocados por uma nova rota sem placas de indicação ou alertas, mas que nos conduzem ao que deve ser o melhor caminho pra nossa jornada, mesmo que esses pareçam caminhos mais duros, mais difíceis, porém necessários para o entendimento da caminhada.

A essa energia que nos conduz pode-se dar o nome de Sina ou Destino. O nome é o menos importante. Devemos nos atentar para a capacidade de ver e enxergar, reconhecer, saber recebê-los com naturalidade e, sobretudo, aprender com suas lições. É quando se inicia o maravilhoso processo de reforma íntima, a verdadeira reconstrução moral e espiritual que nos leva a uma felicidade palpável, duradoura e verdadeira, sem hipocrisia, teatros e mentiras.

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