Passamos por Boa Vista, capital de Roraima, e paramos apenas para almoçar em uma bela churrascaria à beira da estrada, seguindo a máxima que capitais não são tão interessantes, assim como os aeroportos são todos iguais e não refletem a cara nem a cultura de seu povo.
Então tivemos mais uma situação diferente de aprendizado e mensagens a serem entendidas. No posto de gasolina de Boa Vista decidimos não abastecer por achar que poderíamos chegar na fronteira com nossa reserva. Porém, falhamos nos cálculos e, tanto a gasolina do tanque como da reserva de 5 litros, acabaram a 60 km de Pacaraima, a última cidade Brasileira, na divisa com a Venezuela, na cidade de Santa Elena de Uairén.
Hans partiu sozinho para buscar combustível e eu fique sentado em cima do capacete ao lado de uma pequenina mangueira aproveitando sua sombra, com muita sede sob um calor que me fazia pingar rios de suor. Não se passaram nem 5 minutos para aparecer o primeiro carro e um jovem rapaz me pergunta se precisava de ajuda. Agradeci dizendo que esperava meu parceiro e perguntei se tinha alguma água pra me oferecer.
Ele respondeu:
- Tenho água e da boa que acabei de colher da mina ali atrás. Está fresca e muito limpa!
Agradeci e desejei boa viagem a mais um brasileiro camarada. Bebi da água da mina e e registrei mais esse momento.
Foi então que deixando de lado um pouco a autopiedade e a reclamação pela aparente má sorte, fui capaz de enxergar que atrás de mim, além da sombrinha da mangueira, passando um cerca de arame, tinha dois ranchinhos. Fui até lá em busca de abrigo e bom papo pra passar o tempo. Foi quando conheci Sr. Raimundo Curandeiro.
Hans teve muitas dificuldades enquanto foi buscar gasolina, pois há restrições para se conseguir gasolina na fronteira, por ser tão barata. Do lado da Venezuela, menos de 50 centavos o litro, a gasolina era controlada pela Guarda Nacional e não permitiam brasileiros ou estrangeiros comprar em galões ou grandes quantidades para evitar o tráfico clandestino.
Ele teria ainda passado por um acidente ao sair de dentro do posto de gasolina internacional ao não observar uma corrente fechando a passagem e bater de frente caindo da moto. Graças a Deus não se machucou, mas arranhou a Bolha (pára-brisa) da moto.
Grande surpresa foi a nossa ao saber que o danadinho do Sr. Raimundo tinha 80 litros de gasolina escondida no fundo da casa em galões para vender. Compramos 10 litros para completar o tanque, onde tive que chupar numa mangueira e bebi um jato da danada. Argh!!!
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