No segundo dia atravessamos o Maranhão até chegarmos em Picos, no especial estado do Piauí. Digo especial pois é marcante o sentimento de amor e paixão que os nativos dessa terra nordestina têm por suas raízes e seu torrão natal. Mais que uma naturalidade, se torna uma "religião" ser daquela região, ser piauiense. e conto em palavras e fotos que a
Ao entrar no Piauí vamos sendo recebidos, de quilômetros em quilômetros, por rebanhos de bode (tive que pesquisar esse coletivo, pois acho que matei essa aula) nas margens das estradas, tornando-a um pouco perigosa para velocidades avançadas. Há sempre uma visão diferente dessa criação característica da região e, como não poderia faltar, somos observados e autorizados a prosseguir pela autoridade monárquica do senhor soberano animal nordestino, o todo nobre e respeitado Sr. Jumento, animal tão importante no dia a dia e cotidiano dessa gente amigável, sorridente e simpática. Afinal, "O Jumento é nosso irmão."
Almoçamos na fronteira do Maranhão com Piauí, na bela cidade de Floriano, onde me lembrei de alguns amigos naturais daquela região que vivem em Palmas. Aproveito então para homenagear todos os piauienses da família do grande Paulo Reis que partiu recentemente, fora do combinado.
Tive o prazer de ter no cardápio do dia, dois belos tipos de "bode", um cozido e outro assado, que apesar de ser uma delícia e eu ter me esbaldado de comer, não foi degustado pelo Gringo (forma carinhosa e divertida que chamo o Hans), pois não consegui convencê-lo a provar, por preconceitos e azar dele.
Continuamos nossa aventura pelas sendas nordestinas. Agora sentindo dores constantes nas costas e pescoço por estar destreinado em viagens longas de moto. Vou me socorrendo com comprimidos de relaxantes musculares, mas notando, como na primeira viagem, a capacidade de adaptação de nosso corpo humano às circunstâncias da vida. No primeiro dia as dores foram intensas, diminuindo nos segundo e terceiro dias. Só espero que acabem logo pois, pra quem não tem essa experiência, chega a pensar em desistir por imaginar que não irá suportar meses com aquelas dores incômodas.
Algumas regras e cuidados vou aprendendo com a estrada e com os velhos viajantes como: nunca viajar à noite, tomar cuidado nas ultrapassagens e muito cuidado com o contato com pessoas aparentemente prestativas que algumas vezes estão sondando para tirar proveito de alguma forma, até mesmo com assaltos e furtos.
Pelo Piauí só encontramos sorrisos e pessoas nos desejando boa viagem, sempre nos abençoando com a recomendação da companhia de Deus a nos guiar e proteger. Mais adiante falarei da crença do Hans em Deus. Por mais que ele diga que é uma espécie de ateu e que não precisar acreditar em Deus, fico observando seu espirito amigável, simpático, justo, mostrando-se um verdadeiro gentlemen, sei que Deus acredita muito nele.
Outro fator interessante que vou descobrindo no universo motociclista é o costume e a afinidade que vamos adquirindo com a velocidade, nossa maior companheira e aliada que nos conduz. Vamos nos familiarizando tanto com ela que começamos a conhecer suas linguagens e sinais como o som do vento e as imagens da paisagem passando por nós, aprendendo assim a identificar qual velocidade estamos sem sequer precisar olhar o velocímetro da moto, como se a sensibilidade nos informasse num velocímetro emotivo se estamos a 100, 110 ou 130 km por hora (nossas velocidades médias de cruzeiro).
Lembro-me agora uma das muitas frases filosóficas tradicionais dos motociclistas que diz que "ao viajarmos de moto, nós não olhamos a paisagem, nós somos a paisagem", pois a estrada para os motociclistas tem cores mais vivas, cheiros e sons peculiares e próprios que, só quem anda de moto ou a pé, pode entender. É como diz a canção "Estrada de Canindé" cantada pelo velho Rei do Baião "Luiz Gonzaga". Aproveito a oportunidade para pedir autorização por estar entrando em Pernambuco, a sede de seu reinado e sempre respeitando "Januário", pois de "Taboca a Rancharia, de Salgueiro a Bodocó, Januário é o maior".
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