Bem vindos a bordo!


Estamos a bordo do Catamarã Rondônia, que descerá conosco o Rio Amazonas – AM, depois de termos andado 4.652 km por terra. Aqui, nossa viagem tem previsão de cinco dias e aproximadamente 2.300km por água. Então, vamos seguindo, pois “navegar é preciso”...

A região Norte do Brasil é conhecida pela utilização freqüente do transporte hidroviário. Devido à grande quantidade de rios e a concentração de inúmeras comunidades ribeirinhas, localizadas à beira de rios importantes, o barco sempre teve um papel fundamental para a sociedade. Em função da importância do transporte hidroviário, muitos turistas optam pelos barcos para conhecerem melhor a região e um dos trajetos mais conhecidos e procurados é o Belém – Manaus.

Com quase seis mil quilômetros de distância, chegar a Manaus partindo de Belém é uma viagem e tanto. São cinco dias a bordo de um dos inúmeros barcos que fazem o trajeto e o viajante tem todo esse tempo para apreciar as lindas paisagens amazônicas, conhecer novas pessoas e viver a rotina de muitas pessoas que moram na região norte, utilizado o barco para se locomoverem. Durante a viagem, os barcos fazem pequenas paradas em comunidades ribeirinhas, geralmente para o embarque e desembarque de passageiros.

Apesar da grande quantidade de barcos que realizam a viagem Belém – Manaus é importante se certificar da qualidade do serviço oferecido, já que muitos barcos trafegam em condições mais precárias. Outra informação importante é relativa às acomodações: os barcos não oferecem grandes luxos e a tarifa mais barata é para o setor de redes, onde o turista não tem um cômodo especial e dorme junto com muitas outras pessoas.

Para aqueles que pretendem ter um pouco mais de conforto, a solução é optar pelos camarotes, que são pequenos quartos, com duas camas tipo beliche e, em alguns barcos, banheiro privativo. Os preços para essas acomodações são mais altos, mas o viajante tem a opção de manter seus pertences em segurança, ao contrário do que acontece com aqueles que optam pelo setor de redes.

Nas duas modalidades, não são oferecidas toalhas de banho, que ficam sobre a responsabilidade do viajante. Durante a viagem, o navio faz paradas em algumas comunidades, apenas para embarque e desembarque de passageiros: Almeirim, Prainha, Monte Alegre, Óbidos e Juriti. O navio possui um restaurante a bordo, onde é possível fazer as refeições durante os dias de viagem.

De acordo com a programação de viagem, o barco inicia o trajeto nas baías do Guarujá e Marajó até chegar ao Rio Pará. Em seguida, passa pelo Rio Amazonas, onde passa por famosos encontros de águas: Tapajós e Amazonas e Negro e Solimões. Além do quesito sócio cultural, a viagem Belém – Manaus é uma ótima oportunidade para conhecer de perto alguns dos rios mais importantes do Brasil.

Aconselho alguns cuidados que se deve tomar ao fazer essa viagem, deve-se ter consciência que irá viajar de uma forma simples, com pessoas simples inseridas em suas rotinas normais e tradicionais. Nossas presenças, como dos demais turistas, além de ser exceção, somos estranhos àquela gente. Portanto a melhor forma de aproveitar o trajeto é ir logo de cara se enturmando e fazendo amizades, o que é muito fácil, pois os nortistas são muito simpáticos e verdadeiros, bem no estilo da gente simples e sincera que estou acostumado a conviver nos meus dez anos de televisão com meu programa no interior do Estado do Tocantins.

Não vi casos de violência nem de roubos e, apesar de ter um bar onde se vende bebida alcoólica e toca-se música alta todas as noites, tudo vai se desenvolvendo com certa tranquilidade.

Estou documentando tudo não somente aqui nos meus relatos, mas também em vídeo. Vou entrevistando nativos, tripulação, registrando as paradas nas cidades ribeirinhas e buscando todas as informações possíveis para um trabalho futuro de edição.

Tive a oportunidade de entrevistar o comandante e saber mais dessa profissão e responsabilidade em conduzir tantas vidas e pertences alheios toda semana.

Relato também algumas peculiaridades pelo convívio de cinco dias com tanta gente (mais de 1.000 pessoas), tem lugar para mais de 600 redes. Nessa parte tudo é muito novo e interessante para quem não está acostumado. Observei todos dormindo juntos ali, lado a lado, misturando sons e cheiros (na maioria nem sempre agradáveis ou no mínimo diferentes), num amontoado de gente como num grande casulo de amazonenses, paraenses, franceses, holandeses, alemães e etc.

Achei muito interessante rodar a noite por entre as redes, sozinho, enquanto todos dormiam e observar tanta gente entregue aos “braços de morfeu”, ali vulneráveis e distantes. Vi crianças em duplas e trios numa só rede, mamães e seus filhotes adormecidos com o seio materno na boca, casais de gordinhos incrivelmente aconchegados numa pequena rede em sono profundo, meio que uns por cima do outros numa naturalidade espontânea e usual. Perguntava-me como conseguiam dormir naquela posição. Eu, por ser grande, sempre tive dificuldade em dormir sozinho em rede, imagine com mais alguém!?

Vi ainda muitos velhinhos com suas marmitinhas de farofa e notei muito respeito entre todos pelo espaço e individualidade de cada um. E eu ali, no meio da noite e dessa gente, como um ser invisível a espreitar e observar aquela raça humana com seus costumes e hábitos, no mínimo, muito diferente do resto desse nosso Brasilzão Continental.

Interessante também é observar a reação dos “Gringos”. Eles vêm, na maioria das vezes, atraídos pelo fascínio de conhecer o maior rio e selva do planeta e se misturam com os nativos, mas não vejo uma intenção de interação com nossa gente. Mantém uma postura analítica, se colocando como se fossem superiores em meio aqueles pobres subdesenvolvidos e primitivos seres... “pobres meninos ricos, apenas ricos, mas meninos”...

Mas depois continuamos a falar dos acontecimentos ocorridos nesses quatro dias que já estamos no Catamarã onde coisas engraçadas e divertidas já tenho pra relatar.

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