Ainda no Posto de Canindé notei que a moto do Hans estava com o pneu traseiro na lona, o que causou grande espanto nele. Seu cálculo foi baseado no pneu dianteiro trocado no Peru e com plenas condições de chegar até Belém para nova trocara troca. O pneu traseiro tinha sido trocado na Argentina, portanto com menos quilômetros rodados, o qual, teoricamente, estaria ainda em condições de rodar.
Encontramos então nosso primeiro percalço e imprevisto a ser superado. Estávamos a 170 km de Sobral, cidade que tínhamos intenção de pernoitar. Porém eram 16h20min e teríamos que rodar a uma velocidade muito baixa de 50 km/h esse trecho. Sabíamos que pegaríamos noite adentro no fim desse trecho e a grande preocupação que se estourasse ou furasse esse pneu era constante.
Teríamos grandes dificuldades para arrumar um caminhão em algum povoado desse sertão e depois outra grande dificuldade – a de colocar a gigante da Gold Wing em cima com seus mais de 400kg. Depois disso, ainda teríamos que nos deslocar até Sobral ou Teresina, a mais de 500km, e começarmos outra luta – descobrir onde achar o pneu raro dessa moto nada popular e, ainda, alguém que conseguisse trocá-lo.
Motociclistas experientes como o Mário e o Tácio que, certamente, sabem desmontar e montar até mesmo uma moto inteira, também teriam dificuldades com a falta do equipamento necessário.
A lição foi aprendida e a experiência adquirida. Agora sabemos que precisamos sempre checar os pneus a partir de 10.000 km.
Passamos por maus momentos, oscilando entre cansaço, estresse e sono que a velocidade lenta nos causava. Aproveitei então a baixa velocidade para fazer algumas filmagens das motos nas estradas, da paisagem bonita, de grandes serras, das vilas e cidades que se apresentavam na região do sertão de Canindé para utilizar também em meu documentário.
Mas a tensão que passamos ao cair da noite na estrada (definitivamente noite e chuva não foram feitas pra viajar de moto), onde os faróis nunca são tão eficientes, principalmente os da minha Boulevard. Além do mais, o ofuscamento causado pelos faróis que vem em sentido contrário, buracos e animais na pista, desencadeava cansaço físico e mental enorme.
Nada tinha sido tão difícil, se comparado ao que passamos ao sairmos das estradas vicinais e entrarmos de volta à BR-222, num trecho de uns 30 km ate chegar a Sobral. A cada quilômetro parecia que Sobral estava mais distante ainda, além da pressão que faziam os caminhões muito grandes, que colavam na traseira das motos por não poderem ultrapassar, devido ao fato da estrada não ter acostamento direito. Ficavam ali piscando faróis altos e nervosos com nossa presença tão lenta e incômoda na rodovia, mesmo com os pisca-alerta ligados, sinalizando dificuldades e problemas.
Foi uma experiência muito ruim.

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