Uma história divertida...


Enfim, problema resolvido com sucesso e pneus novos, depois de muitas perguntas sobre a viagem por parte dos funcionários da Honda de Sobral e algumas fotos com as motos, saímos na BR-222, rumo à Teresina – PI. Em minha garupa, uma incômoda sensação de estarmos séculos parados e a emoção causada pelo som de Gonzaguinha no meu Ipod... “Começaria tudo outra vez, se preciso fosse... a fé no que virá e a alegria de poder olhar pra trás...”.

Subimos uma bela serra deixando Ceará para trás e, aproximadamente 200 km de Sobral, antes de chegarmos à Teresina, fomos mais uma vez recebidos por pequenos rebanhos de bodes cruzando a rodovia, todos calmos e despreocupados com o movimento. Juntamente com alguns jumentos, se sentem donos e soberanos do local. Já se nota a diferença na vegetação e no solo, onde a sequidão do Ceará vai dando lugar a um verde mais atrevido que parece querer dominar em forma de um cerrado mais fraco. Aparecem também vários açudes esparsos e lamacentos, mas diferente das pontes sobre leitos de areião dos rios secos do Ceará e Pernambuco.

Perto da cidade de Piripiri, já no estado do Piauí, passamos por uma situação no mínimo engraçada. Temos que abastecer a cada 200 km, que é a autonomia da minha Boulevard. Em nossas rotineiras paradas, aproveitamos para comer e beber algo, pagando com cartão de crédito. Em nosso primeiro abastecimento do dia, como eu estava com muita sede, não esperei meu parceiro e após encher o tanque com gasolina fui encher “meu tanque” com suco. Hans imediatamente fez o mesmo. Tomamos nosso lanche, conversamos um pouco e calmamente retomamos nossa caminhada.

Paramos a uns mil metros à frente para fotografar ao lado de uma placa indicando o acesso à Piripiri. No momento, o som altíssimo da Gold Wing tocava Diomar Naves interpretando Gonzaguinha “e o menino com o brilho do sol na menina dos olhos sorri e estende a mão entregando o seu coração e eu entrego o meu coração”...

Retomamos à estrada quando, poucos minutos depois, observamos uma caminhonete Hilux branca, nova e muito veloz se aproximando e piscando faróis. Havia uma pessoa ao lado do motorista, no lado no banco de passageiros, nos acenado algo incompreensivo. Liguei meu sentido de alerta e desconfiança, preocupado. Freei a minha moto provocando uma ultrapassagem deles por mim e me colocando atrás pra observar melhor o que estava acontecendo. Eles continuaram avançando na direção de Hans que estava à minha frente e começaram os mesmo gestos, ao mesmo tempo, acuando meu parceiro no acostamento. Hans, em sua ingenuidade e inocência peculiar me disse, depois, que achava que eles queriam apostar corrida com ele e acelerou então sua moto ate 170 km/h.

Preocupado, acelerei também e passei à frente de todos sinalizando ao Hans que não parasse, pois eu tinha observado uma placa indicando um posto da Polícia Federal logo adiante, onde poderíamos esclarecer tudo. Lá chegando, notei a caminhonete parar também e já fui descendo da moto, observado pela Polícia, que também acenava para que parássemos. Então, aproveitando de meus impositivos 1,88 metros de altura que aumentam com tanta roupa de couro, luvas, botas e capacete, naquela imagem aparentemente ameaçadora e violenta (claro que confiante na presença da Polícia, pois sou grande, mas não sou dois), fui meio que gritando e com voz firme perguntando qual era a intenção daqueles indivíduos de nos seguirem daquela forma e o que significava seus gestos.

Para minha vergonha e, como diz meu pai, “perdendo o rebolado”, descobri que eram o dono e o frentista do posto que paramos querendo cobrar a conta de R$ 70,00 (setenta reais) da gasolina que havíamos esquecido de pagar. Ficamos ali parados, tentando encontrar os documentos do Hans exigidos pelos policiais rodoviários que eram amigos dos nossos credores e que, desconfiados, foram tratando de pegar também meus documentos e verificar as informações desses dois cabeludos viajantes em motos tão grandes, que pareciam estar dando calotes generalizados em postos de gasolina.

Hans não encontrava seu passaporte e ficava cada vez mais nervoso com a pressão exercida pelos policiais e pelo frentista, cada um queria primeiro resolver sua questão e eu ali do lado sem poder fazer muita coisa além de traduzir pro meu parceiro o que se passava, até que encontramos os documentos, pagamos a conta, pedimos humildes desculpas.

Ficamos indignados pelo frentista não nos ter cobrado enquanto estávamos na lanchonete e nos ver sair tão calmamente e da rara gentileza do guarda em nos desejar boa viagem depois de tudo esclarecido.

E a Gold Wing tocava bem alto e claro um Reginaldo Rossi, cuja letra da música dizia: “Levianaaaa!!! Apesar de você fazer tudo comigo na cama ainda acredito que você me ama...”  

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