Cartagena


Preparem-se! Estou inspirado e em estado de graça desde as 09 hs da manhã quando o mar do Caribe me apresentou um paraíso na terra.

Cartagena, essa cidade na costa norte da Colômbia na região da Costa do Caribe. Com uma população de mais de um milhão de habitantes, tem registros de atividade e desenvolvimento na região datados de 4.000 anos a.C. e parece ser a primeira comunidade humana documentada no que é hoje a Colômbia. Ao seu redor observa-se ainda, nas estradas, várias culturas dos povos indígenas ainda presentes, com suas características e dignidade.

Fundada em 1533, teve papel fundamental no desenvolvimento da região durante as eras de conquistas espanholas. Era um centro de atividade política e econômica, devido à presença da realeza e vice-reis ricos. Hoje é considerada um Patrimônio Mundial.

No Delta do rio Sinú, desde sua fundação, foi um local atraente para saques de piratas e corsários. Por isso a cidade reforçou suas defesas com fortes e muralhas e tem a maior muralha da América Latina, que se encontram majestosas e imponentes até hoje.

Logo na chegada visitamos um ponto interessante pelo qual fomos nos encantando, tirando fotos e filmamos à beira mar. Pegamos um dia especial onde os habitantes vão para perto do mar soltar pipas e passar o dia. Vimos colegiais em turmas por todo lado lanchando, conversando, brincando e milhares de pipas coloridas bailando no ar em um espetáculo incrível. Vi papais ensinando seus filhotes a arte de soltar pipa e uma alegria geral, linda e que transcendia da terra para um céu pintado de seres alados e rebolantes. Não resistimos, descemos das motos e nos misturamos àquela alegria toda registrando tudo e até entrevistando alguns “papás” dedicados e presentes.

Meu parceiro Hans ia à frente, posição que ele assumiu desde que saímos do Brasil, onde fui seu guia. Agora deixava essa função ao viajante do mundo mais antigo e atuante que existe hoje no planeta Terra.

Cada metro da orla em que passávamos aparecia um cenário mais lindo dessa beleza de cidade litorânea com praias imensas e prédios luxuosos em meio a casarões históricos da época da colonização espanhola.

O clima de Cartagena das Índias é tropical, húmido, chegando a certas épocas do ano a 90% de umidade. Eu, como autêntico “goiano-tocantinense” estava suando mais que “tampa de chaleira”.

Como já passavam das 11 hs fomos procurar um restaurante e, quando percebi, Hans estava na porta do chiquérrimo Hotel Hilton perguntando a um recepcionista se tinha restaurante aberto. Pra nossa alegria (e do nosso bolso) comemos em um aconchegante Restaurante de um Hotel de nome San Pietro aqui em Boca Grande, uma das áreas mais procuradas por turistas. Diárias pra duas pessoas de $86 dólares que, além de recomendar, já estou fazendo planos de voltar em fevereiro. É onde estamos agora hospedados. De uma rede na cobertura eu tomo um bom vinho chileno e escrevo pra vocês, nossos amigos.

Após comermos um delicioso “Pescado Caribenho” com peixe do mar e molho de camarões e legumes acompanhados de batatas fritas, nos registramos e já começamos a fazer contatos para localizar transportes para as motos até o Panamá, de onde seguiremos rodando até nosso destino final: os Estados Unidos da América.

Depois de sair do Hotel Anaconda, ainda na fronteira, mas já do lado da Venezuela, nos despedimos mais uma vez do “Polaco” e seguimos adiante com intenção de chegar em Maracaibo, uma cidade de importante Porto de escoamento da produção de petróleo do país.

Na saída cruzamos nas ruas com mochileiros tranqüilos e despreocupados com seu estilo meio hippie e desprendido provando a máxima que aprendi: esse tipo de aventura, não só nossa, mas deles e de vários outros viajantes é uma forma de correr o mundo em busca de aprendizado, aventura e reflexão. Isso está alcance de todos e todo podem fazer, mas poucos têm coragem. Quero lembrar aos nossos “Garupeiros” que nossa intenção é tentar embarcar por aqui, de Cartagena. Porém, se não acharmos transporte acessível, desceremos ate Bogotá, a capital da Colômbia, e embarcaremos de avião, como fizemos na viagem de 2002 e que Hans fez agora, na descida dele, quando veio.

Tenho tido muita atenção para pilotar, cuidando não só de mim, como também de Hans, apesar del ser um grande piloto e ter demonstrado isso a todo tempo. Noto que ele comete algumas imprudências como ultrapassagens perigosas e arriscadas que colocam a vida dele em risco. Então procuro sempre alertá-lo disso e, como alguns reflexos estão diminuídos, tento ouvir e enxergar por ele também sempre que se faz necessário, principalmente para não nos perdermos um do outro, o que seria um transtorno geral se acontecesse. Inclusive, já combinamos que, se isso acontecer, de ligar para uma pessoa em comum comunicando nosso paradeiro. Mas não deixa de ser desagradável.

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