Depois de nossa segunda fronteira também conturbada, com seus burocráticos tramites da documentação, tanto do lado Venezuelano quanto Colombiano, seguimos com destino a “Cartagena”, desviando da rota que seria pra Bogotá, como fizemos em 2002, onde embarcamos as motos em avião para o Panamá, pois existe uma região na Colômbia denominada “Tarien”, que não tem estradas e os indígenas não permitem passar, sobrando à opção de voar por 45 minutos, nessa parte de Bogotá ate “Ciudad de Panamá”.
Aconselhados pelo Polaco, esperávamos encontrar em Cartagena, um navio que nos levasse ate o Panamá, economizando alguns dólares da viagem feita por avião de Bogotá.
Logo depois da fronteira tive a grande surpresa de avistar e conhecer o “Mar do Caribe” que, de repente, surgiu na minha frente depois de uma curva; majestoso, imponente e muito limpo, me emocionou por suas historias tão famosas de corsários, piratas e belezas contados em canções e filmes, eu ia comprovando tudo ao ver tamanha beleza, e só lamentando não poder dar uns belos mergulhos já que sou adepto à pesca subaquática, esporte que pratico no Rio Tocantins e agora estando ali, na orla do Mar do Caribe, só me restava tirar umas fotos, molhar a mãos e o rosto na agua salgada e não deixar de fazer como todo goiano faz gritando bem alto; “- é salgada mesmo gente”...
Em Porto Cabelo, uma cidade portuária famosa, sentimos um mal cheiro muito forte vindo das refinarias de petróleo, e ao parar pra filmar, Hans me conta que esteve nessa região como marinheiro, por volta de 1951, quando o então presidente Perez Jimenez, deposto em 1958, exigia que para cada trabalhador do navio que estivesse ancorado ali, teriam que pagar um salário equivalente, para um nativo, que sem trabalhar só precisavam ir ao navio buscar o dinheiro dos gringos.
Logo adiante, tivemos que parar em uma “gasolineira” por causa de uma intensa chuva vinda do oceano, e apesar de estarmos já encharcados, ficamos esperando diminuir a intensidade da agua, aproveitando pra comer algo em uma lanchonete onde também, comprei um belo charuto cubano ao pequeno valor de um dólar. Enquanto isso, a Gold Wing cantava bem alto, estacionada nas bombas de gasolina, a canção de Geraldo Azevedo; “eu vou partir, pra cidade garantida, proibida, arranjar meio de vida, margarida, pra você gostar de mim”...
Em uma cidade adiante, observei motoqueiros; (agora são motoqueiros mesmo, pois transitavam sem capacete e em meio aos carros congestionados em ziguezagues loucos e arriscados), e na saída de um túnel, ao ver minha bandeira do Brasil que cobre meu violão, um cidadão gritou bem alto: - ë Brasileiro, futebol, carnaval, mujeres bonitas”, e eu respondi em pensamento: “isso mesmo, tudo isso e mais ainda um belo “Pau Brasil”...
A concepção de distancia muda em nossa cabeça ao viajarmos tanto, vamos nos acostumando aos quilômetros, as estradas e as horas passam junto com tudo em volta. Passamos a pensar em medidas iguais a mil quilômetros, como trechos a serem percorridos e não mais como “mil quilômetros”.
Outro fator interessante que tem acontecido nessa viagem, é a simpatia e a solidariedade às vezes, ate mesmo acima do esperado, como foi no caso do Hotel, ainda em Caracas, onde conhecemos dois americanos que nos fez contar toda nossa historia de “viajeros locos” e depois no quarto, onde eu escrevia meus relatos, chega o Hans pra me contar que ao ficar conversando mais com os conterrâneos, recebeu de um deles, embora tenha insistido que não era necessário, a quantia de 300 dólares, como incentivo e apoio a nossa aventura. No hotel de Camarebo o dono também ao saber da aventura não quis cobrar nossa diária nem as roupas que mandamos pra serem lavadas.
Por falar em roupa lavada tenho aprendido e ficado campeão em lavar cuecas e meias todos os dias, lembrando que pela falta de espaço para bagagens, só temos dois pares de cada, que enquanto uma seca usamos a outra.
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