Lições ao pé do Mandacaru


Ao parar pra filmar e fotografar naquela selva de mandacarus, fomos surpreendidos por um colombiano de uma cidadezinha ali perto que estava em uma moto pequena e com roupa suja e rasgada de quem trabalha muito e duro. O Sr. Teodomiro, que ao ver as motos grandes se aproximou com curiosidade, interesse e depois de nos cumprimentar, perguntando se precisávamos de alguma ajuda, foi também questionando sobre nossa historia e falando da sua. Disse que sonhava em algum dia poder fazer uma viagem como essa e que já havia morado fora do seu país, nos Estados Unidos, trabalhado como lixeiro e que se orgulhava dessa temporada pois em pouco tempo já era um dos responsáveis pela equipe.

Ao ver aquele senhor tão simples, batalhador, com seu jeitinho humilde, mas inteligente e cheio de esperança e de vida, me emocionei e lembrei-me de uma conversa que tive uma vez com meu amigo Allan Divino de Palmas que me disse que se algum dia ele perdesse tudo na vida e virasse um varredor de rua, em muito pouco tempo seria o chefe deles. Isso nos mostra que por mais humilde que seja nossa tarefa, nossa ocupação, nossa condição de vida, se tivermos amor no que fazemos e dedicação, não tem como não sermos bem sucedidos e galgar degraus na evolução espiritual e material. Valeu Teodomiro, que bom ter conhecido mais um bom cidadão do nosso mundo... Você é dos nossos!

Enquanto eu tirava fotos dos mandacarus e de Teodomiro, foi muito bom ouvir na moto do Hans, sempre cantante em qualquer situação, a voz de Genésio Tocantins cantando “quem ama perdoa”, canção de Juraíldes da Cruz. Fui lembrando que nessa aventura, as magoas também vão passando sem que se perceba, assim como as milhas, as arvores, as pessoas e ate mesmo sem perceber, o próprio tempo vai passando pra trás. Estamos agora, a três horas atrás do horário do Brasil.

Eita! Saudade danada de um pequizinho que devem estar comendo agora esse meu povo, pois o maior preço que pago por essa bela aventura não é tanto a saudade de Dona Enite, da neguinha ou da novelinha do “Brogodó”... Mas por ter esperado o ano todo pra comer um pequizinho, e na época dele chegar, ter ido embora!...

Avistei uma placa que indicava “Ovejas em la via”, e vi também que aqui tem calangos cruzando o asfalto quente, a mil por hora.

Ao ir escrevendo, como já disse e repito agora, não me preocupo com forma, gramatica ou os possíveis erros que penso ser perdoáveis por vocês, pois só estou escrevendo pra meus amigos e conhecidos e movido por emoções dos momentos que tenho passado, ainda bem que tenho a Taizinha que cuida de nosso blog e familiares e a namorada que me alertam de algumas falhas a serem corrigidas em meus relatos. A Elsa me disse, por exemplo, em sua preocupação de quem quer o melhor pra mim, que devo evitar parágrafos longos, pois alguns têm preguiça de ler quando é assim.

Ok! Minha neguinha! Vou tentar seguir seu conselho, embora isso me faça lembrar, que estou em uma fase da minha vida muito tranquila onde decidi mais que nunca, reciclar ideias, posturas, ações e principalmente separar “amigos” de “conhecidos”. Sendo assim acredito que pessoas que não gostam, ou não tem o habito de ler, de gostar de artes, de musica, de animais e de crianças, devo deixar na categoria de “conhecidos”, e pouco me importa se esses não têm paciência ou interesse em meus relatos, e muito menos me interessa tê-los em minha aba do chapéu, em minha intimidade ou em minha garupa. Podemos ate tomar um vinho juntos, mas só isso.

Lembrei agora também de um amigo que não vejo a muito tempo de nome Oswaldo, Professor Oswaldo De La Gustina, que certa vez me motivou a escrever dizendo que gostava de meu estilo e da emoção que tento passar, e que se cansou de ver a realidade e de conhecer escritores ditos técnicos, estudados e ate famosos, com seus guarda-roupas cheios de livros tão perfeitamente editados, revisados, diagramados e etc., porém, sem ninguém que interessasse em lê-los e muito menos compra-los. Lembro também que conheço alguns músicos e seus discos nessa mesma condição. Não vamos dar mais valor e atenção à técnica que a emoção, a razão mais que a intuição, como diz Oswaldo Montenegro: toda grande obra passou por um rascunho e por rasuras... e como canta também, meus companheiros de labuta nas noites dos bares de Goiânia; os irmãos Di Paulo e Paulino; “o coração que sai vencido, quase nunca tem razão, a razão que sempre vence, nunca teve coração...”

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