Saindo do Continente do Egoísmo


Dormimos numa cidade muito pequena e pobre chamada Rorainópolis e depois de um delicioso suco de cupuaçu, muito comum e típico da região, saímos bem cedo pra enfrentar mais 150 km de buracos em mais 4 horas de luta tentando evitar quebrar as motos e não comer tanta poeira. Se tivéssemos tripa quadrada teríamos fabricado muitos tijolos à noite, já na fronteira do Brasil com a Venezuela do lado brasileiro na cidade de Pacaraima. Risos.

Depois de Rorainópolis a paisagem continuava plana, com vegetação baixa e pastagens verdes, terra que chove o ano todo, mas não se via gados nem cercas nas margens das estradas, nem plantações, mas notava-se que a terra era boa. Como dizia Pero Vaz de Caminha, um outro contador de histórias: “em se plantando, tudo dá”. E José Reinaldo Naves, meu pai, arremataria: “não se plantando, dão”.

Sem nenhuma saudade e com muito alívio deixamos os buracos pra trás.

Na ponte sobre o Rio Branco, perto da cidade de Caracaraí, entrevistei um simpático pescador da região que contou de sua alegria de ter aquela vidinha simples e de ser muito grato à sorte por seu ofício.

Foi maravilhoso andar em bom asfalto e muito mais prazeroso ouvir a música do vento de novo no capacete. Nessa hora me veio um pensamento da diferença de emoção que assola o coração de meu parceiro e o meu. Do meu lado partindo pra longe de tudo que mais quero e amo. Da parte dele, de estar voltando pra casa depois de seis meses viajando sozinho por mais de 50 mil km rodados pelo mundo. Disse o pescador de Caracaraí quando ficou sabendo a história dele: “Eita, cabra bom!!!”

Nessa viagem, nas reflexões, nas 8 a 10 horas diárias dentro do capacete vou descobrindo tudo isso, vou perdendo o medo da estrada e começo a fazer parte dela.

Vou perdendo os receios da mudança e disciplinando a alma, aprendendo e entender tais desafios internos.

Vou me aceitando cada vez mais ao encarar meus defeitos e ter a coragem de querer tentar mudá-los dando, assim, o primeiro passo a essa reforma íntima e moral tão difícil e longa de se conseguir.

Sei que ainda está muito distante de meu destino final, de poder cruzar a última fronteira que separa meu coração do país dos orgulhosos, das cidades da impaciência e principalmente do mal sentimento (pai de todos os sentimentos ruins), que é poder carimbar meu passaporte de saída do Continente do “Egoísmo”. 

Se Deus é amor, o egoísmo deve ser o Anti-Cristo. Se existe céu, deve ser ele o inferno. Apesar que se completam, pois um não existiria sem o outro, formando assim as condições perfeitas pra nossas escolha e, conseqüentemente, possibilitando nosso crescimento não só pra sermos mais felizes por nós mesmos, mas principalmente a grande alegria de sentirmos poder ajudar os outros de alguma forma, a de ser também.

Já era o que sou agora, mas agora gosto de ser” (O. Montenegro).

3 comentários:

  1. POR FAVOR VÁ CONHECER A COREIA DO SUL. VOCÊ NUNCA MAIS SERÁ O MESMO.CONHEÇA A CIDADE DE DEUS CHEONGPYEONG.CONHEÇA O PALACIO DA FORTUNA CELESTIAL CHON BON KONG.CONHEÇA O JOVEM LÍDER ESPIRITUAL DR. REVRENDO HYUNG JIN NIN MOON E ASSIM VOCÊ CONHECERÁ OS VERDADEIROS PAIS!

    ResponderExcluir
  2. Olá parceiro, desde a outra viagem nossa (digo nossa pq estive e estou em sua garupa a kda km rodado)que me realizo em suas palavras a cada texto. Vc é iluminado e t admiro muito. Boa viagem e q Deus t acompanhe em mais essa jornada.
    Silvio Nelson

    ResponderExcluir
  3. É amigo,

    É de Sócrates o homem mais sábio na Grécia a famosa frase "conhece-te a ti mesmo"...
    Que bom que você está se permitindo essa reforma íntima e consequentemente aceitando-se cada vez mais.
    Isso é promover o auto-conhecimento, chave fundamental para "se permitir o feliz", como disse e registrou em seus escritos o poeta Tião Pinheiro.
    Continue assim que tô daqui, do alto das minhas inquietudes de mulher, fazendo uma corrente positiva.

    Bjokas a todos os expedicionários.

    ResponderExcluir