Passei por um grande perigo e tomei um susto enorme mais adiante, quando começamos a subir e descer uma grande montanha com curvas e curvas sem parar, nos fazendo reduzir a velocidade e atrasando um pouco nossa viagem.
Depois de parar em uma grande curva, inclinada em declive para registrarmos a “Pedra da Santa”, uma rocha muito alta na margem esquerda da rodovia onde diziam que uma mancha clara mostrava a imagem da Virgem Maria, o que não consegui identificar.
Ao continuar a viagem em uma curva acentuada para a direita, saí um pouco pela tangente e me deparei com uma enorme carreta vindo em minha direção. Como eu estava adentrando sua pista, sendo empurrado por essa tangente em sua direção e não podia fazer muita coisa além de firmar o braço e segurar a moto pra não sair mais pra esquerda, fui salvo pela consciência e destreza do motorista, o qual jogou sua carreta mais pra sua direita.
A boa sorte, sempre ao meu lado, ajudando a passar, tirando finos da grande e interminável carroceria que passava por mim a poucos centímetros, dando pra sentir todo calor e cheiro de borracha queimada dos grandes pneus.
O coração acelerado demorou ainda nas próximas horas pra voltar ao normal depois de tamanho susto que interpretei como um aviso da necessidade de redobrar a atenção nesse tipo de situação.
Lembrei-me da viagem de 2002 quando, depois de ter andado mais de 15 mil quilômetros sem correr nenhum perigo, levei dois tombos seguidos no interior da Costa Rica. Um por entrar distraído ouvindo música em uma curva acentuada e também saindo pela tangente e outro ao tentar desviar de um buraco em asfalto molhado, sempre um perigo aos pilotos de duas rodas. Mas tanto eu como minha violinha saímos intactos não só de desertos, neve, vulcões, guerrilheiros e esses tombos apenas com arranhões na perneira de couro que uso pra me proteger desses imprevistos, um guidão empenado, tanque amassado, mas a certeza que ate nesse momento a fatalidade trabalhava, pois permitiu durante os momentos que ficamos parados tentando endireitar a moto e eu, o encontro de Hans com seu filho “Hansito” que não se falavam a mais de três anos por uma discussão que tiveram no passado quando trabalhavam juntos, inclusive com um neto que Hans não conhecia e que passavam pela estrada e reconheceram o velho “papito” parando seu carro e correndo pra abraça-lo. Mas essa historia merece um capitulo a parte que contarei mais adiante pra vocês, juntamente com outras dessa viagem de 2002.
Paramos pra dormir na cidade de “Upala” em um hotel desconfortável porem estávamos muito cansados e capotamos saindo como sempre às 6hs da matina e ao pararmos em um posto ainda dentro da cidade procurando ar para os pneus adivinhem quem estava estacionado dormindo dentro do carro?... Ficou fácil; “O Polaquinho amarrotado e solitário”, e dessa vez parece ter sido nossa ultima despedida, pois ate aqui em Cartagena não mais tivemos noticias dele. Onde estará o Carequinha?...
Fomos tomar café na beira da estrada, pois os hotéis da Venezuela na maioria não oferecem o café da manha (desaiuno), comemos então uma “parrilla” (pãozinho assado recheado com frango, ou carne de gado, ou de porco, queijos de duas cores, salada e abacate cru), e seguimos nossa aventura e dessa vez Lulu Santos cantava:
“Astronauta tá sentindo falta da Terra? Que falta que essa Terra te faz?
A gente aqui embaixo continua em guerra, olhando aí pra lua implorando por paz
Então me diz: por que que você quer voltar? Você não tá feliz onde você está?
Observando tudo a distância, vendo como a Terra é pequenininha
Como é grande a nossa ignorância e como a nossa vida é mesquinha
A gente aqui no bagaço, morrendo de cansaço de tanto lutar por algum espaço
E você, com todo esse espaço na mão querendo voltar aqui pro chão?!
Ah não, meu irmão... qual é a tua? Que bicho te mordeu aí na lua?”...
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