BR-174, a Rodovia dos Buracos


Depois de Manaus, pegando a BR-174, continuam as árvores muito altas e a falta de postos de gasolina nos preocupa. Minha Boulevard só faz 230 km com seus 15 litros no tanque e vamos, assim, calculando as distancias, fazendo contas e confiando nos galãozinho de 5 litros que Hans carrega de reserva.

Logo depois, ao entrarmos na reserva indígena do povo Uaimiri Atroari, temos que parar para completar, em nossa primeira pane seca e tentarmos chegar a cidade de Presidente Figueiredo, uma bela cidadezinha turística com muitas cachoeiras e igarapés por todo lado.

Nessa parada observamos uma placa que dizia “Cuidado! Passagem natural de macacos”, sendo assim, dois macacos cabeludos, naturalmente foram passando...

Já havíamos sido alertados por nosso amigo Tácio de Recife, que teríamos dificuldades nessa rodovia, devido ao mal estado de conservação. Já estávamos meio preparados para quando chegasse esse trecho, mas confesso que não imaginava que seria tão difícil e cansativo.

Depois de Presidente Figueiredo, após cruzarmos toda a reserva indígena onde vi cobras na estrada, belos rios e lagos isolados, índios caminhando e placas alertando que devíamos evitar fotografar e filmar os indígenas respeitando-os, então chegaram finalmente os buracos. E que buracos! Ou melhor, só tinha buracos e nada de estrada.

Rodamos 140 km de buracos e mais buracos em uma velocidade media de 60 km/h. Muita tensão, calor, caminhões quebrados por toda parte, poeira e a realidade de um descaso total pelo governo por essa única rodovia que liga uma capital de um dos nossos estados brasileiros ao resto do país. Uma falta de vergonha que merece nossa indignação e revolta por saber de tanta roubalheira e corrupção na política brasileira com cobranças dos mais altos impostos do mundo e essa falta de respeito ao povo dessa região. Mas como eles só andam de avião pagos com o dinheiro público, carregando seus familiares, sogras e as “acompanhantes”, não se interessam por tais problemas.

Cito aqui mais um verso da canção de Leon Gieco que devia nos inspirar: “Eu só peço a Deus, que a justiça não me seja indiferente, se um só traidor tem mais valor que um povo, que esse povo não esqueça facilmente”...

E já que eles não vêm com uma placa escrita na testa informando quem é corrupto ou não, então, que ao errarmos em confiar e ser traídos, que não se repitam tais erros.

Depois da reserva indígena diminuem as florestas e começam a aparecer algumas fazendas. Os buracos continuam nos dando muito trabalho. Em certo momento temos que parar pra amarrar o descanso central da Gold Wing, que desaba pela trepidação. Três horas depois de percorrer esses 140 km iniciais de buraqueira, paro para registrar em fotos e vídeo a nossa passagem pelo marco que indica a linha do Equador, com latitude marcando 00˚0”00'.

Não são essas linhas imaginárias, que verdadeiramente separam povos e regiões, mas sim a política e a religião criadas para serem instrumentos de união dos povos. Fazem exatamente o contrário por serem exploradas por usurpadores da liberdade, da vida e da fé popular.

Hans continua na frente desviando e lutando para não cair em verdadeiras crateras no caminho e, depois que registro tudo, continuo até alcançá-lo.

Vamos ver se vocês adivinham o que encontramos logo em frente!?...  

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