Lições da estrada


Tenho gostado de expressar a parte “pretenso-filosófica” e hoje quero dizer a vocês o quanto essa viagem está sendo “Uma Viagem”, com suas nuances e peculiaridades sempre a me ensinar.

No tocante ainda à vida dos motociclistas nas estradas, vou descobrindo também que é sempre uma aventura inesperada, onde cada quilômetro nos reserva surpresas, emoções, além de constantes perigos. Precisamos estar bem atentos, não só para evitarmos acidentes, mas também vamos aprendendo muito com as lições que a estrada nos traz.

Os perigos da estrada estão em toda parte, seja numa ultrapassagem, num buraco escondido na pista, num animal que atravessa, nos cruzamentos e trevos, como em duas situações que Hans (primeiramente) e eu sofremos nessa primeira parte da aventura.

Esse tipo de aventura está muito longe de ser uma “diversão” ou “entretenimento” por si só, pois a concentração, a tensão e a rotina dos dias são extremamente cansativas, não só física como mentalmente.

Os dias se apresentam sempre muito iguais onde não nos interessa distinguir domingos de terças, quintas ou sextas... Temos a sensação de que todos os dias da semana são os mesmos como se fossem sempre “sábados” ou eternas “segundas-feiras”, conforme o ânimo e a disposição no início de cada dia.

Vou descobrindo também, que não é tanto a saudade, as lembranças de casa, dos amigos e familiares, o sentimento de angústia que às vezes bate no coração por parar a vida e as responsabilidades e os compromissos do dia-a-dia rotineiro que nos causam desânimo, mas sim e principalmente o que desanima às vezes é a velha e contagiante Preguiça. A dificuldade que sempre temos de sair da inércia cômoda e destrutiva que nos conduz a morte sem graça sem ter feito o que sonhávamos.

Eu só peco a Deus que a dor não me seja indiferente, que a morte não me encontre um dia solitário sem ter feito o que eu queria”

Mudar de hábitos físicos e espirituais que nos façam corrigir vícios e manias negativas são sempre ações incômodas, despertando a preguiça, pois para tais mudanças tão íntimas necessitamos principalmente de disciplina e persistência.

Faço também um parágrafo em alerta que nenhuma dessas lições ou aprendizados tem valor ou contagia alguém se não tiver como base o exemplo. Tenho lido algumas vezes na literatura Espírita (e alguns leitores mais perspicazes já devem ter notado a presença dessa bela doutrina em meu estilo de pensar e em minhas divagações), que a verdadeira forma de “converter adeptos” a uma linha de pensamento ou filosofia é essa real exemplificação, pois de nada valem lições e discursos inflamados, empolgantes que só ficam em teorias e belas frases, mas sim as praticadas e as aprendidas.

A lição sabemos de cor só nos resta aprender”...

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