Quero falar um pouco do Polaco Andrjei, dessa vez não por sua importância como viajante do mundo há dez anos, mas como solitário europeu, criado na cultura rígida polonesa que, ao ter contato com os “vagabundos de las carreteras”, Hans e eu, parece que descobriu o “bom da vida”, desde nossa roda de viola no Catamarã.
Lá ele pegou minha gaitinha de boca e tocou, enquanto eu o acompanhava ao violão. Foi aplaudido pela platéia generosa e simpática, parecendo ser aquela que a primeira vez em suas solitárias caminhadas.
Sempre passava pelos lugares do mundo sem se divertir e, por isso, nunca havia sido prestigiado de tal forma.
Aproveitou o momento de descontração para tocar também umas valsas polonesas ao violão (e nem queria mais parar e me liberar o instrumento depois de “canja” tão longa). “Deixa o Polaco ser feliz um pouquinho, meu povo!!!!
Ele se apaixonou por nós e não nos largou mais durante toda a viagem de barco. Claro que falo fraternalmente! Os engraçadinhos de mente suja e pequena que se controlem! Estava sempre ali, aparecendo ao nosso lado em todas as ocasiões com sua carinha e carequinha de “Joao Paulo II” com expressão facial, não aquela tão séria que nos impressionou no primeiro encontro, mas sorridente e insistentemente me convidando para ir aos Estados Unidos da América.
Ele vive no Arizona, fazendo constantes propagandas do Grand Canyon, de Las Vegas e outros atrativos. Disse que sua casa estaria disponível para nós. Fomos conhecendo mais o “Nosso Polaco” e descobrindo que seu estilo de viagem era bem diferente, pois além de solitário ele sempre dormia no carro, (mesmo lá no barco com o carro no compartimento de cargas), e tinha seu dinheiro muito bem contado, principalmente para gasolina e alimentação, nos causando momentos constrangedores como quando nos alimentávamos e bebíamos, ouvíamos ele dizer que não podia, pois era caro para ele. Despedimos dele na descida do barco achando que não mais o veríamos.
Ledo engano!!!
No segundo dia, num momento em que aproveitei a saída de Hans (que fora dar umas voltas à pé pelo centro da cidade e tirar algumas fotos) e fiquei escrevendo no quarto, toca o interfone e um sotaque carregado principalmente nos “erres” me surpreendia:
- Hola! Sou o Andrjei, estoy a ca!!!
Convidei-o a subir e então entra pela porta nosso carequinha com cara de cansado levando meu gravador em suas mãos. Muito depois, já na estrada, descobri que havia esquecido meu pequeno gravador, onde registro as emoções dos momentos para posteriormente relatá-las. Quando percebi a falta dele, até voltamos ao porto, mas o Catamarã já havia partido. Agora me aparece o Polaco com ele em mãos, trazendo esse pequeno equipamento que me faria muita falta. Na minha bagagem já havia uma lanterna “mega-light” que havia trocado pelo gravadorzinho novo que eu tinha comprado para substituir o perdido.
Mais tarde, tiramos um chochilo esperando o Hans voltar, e estava ali aquele “ex-estranho” de cara fechada do primeiro encontro, deitado na cama do Hans, já tão íntimo. Por não permitirem ele dormir no estacionamento do hotel nos despedimos de novo e seguimos adiante deixando Manaus e o Polaco.
Nooossa Didi, quanta emoção, tô daqui com um nó na garganta...
ResponderExcluirBjokas, saudades...